Polícia Federal afirma que caso de roubo de prova do Enem está esclarecido
06/10 -
18:10
Luísa Pécora, repórter do Último Segundo
A Polícia Federal (PF) afirmou nesta terça-feira que o caso do roubo da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está esclarecido.
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Os acusados Felipe Pradella, Felipe Ribeiro e Marcelo Sena foram indiciados por violação de sigilo funcional e peculato, crime atribuído a servidor público ou a quem exerce função equiparada. A PF identifica Pradella como o mentor do crime e também o acusa de extorsão contra uma jornalista. Os três negam a intenção de lucrar com o caso e afirmam que pretendiam apenas dar um "furo" jornalístico à imprensa.
No sábado (03/10), outras duas pessoas já haviam sido indiciadas pela polícia: o empresário e publicitário Luciano Rodrigues e o DJ Gregory Camillo de Oliveira Craid.
Rodrigues e Gregory foram enquadrados no artigo 325 do Código de Processo Penal, que define o crime de violação de sigilo funcional - revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em silêncio.
As penas previstas para cada crime são: de dois a 12 anos para peculato, de dois a cinco anos para quebra de sigilo e de quatro a dez anos para extorsão. Nenhum dos indiciados foi preso e todos responderão ao processo em liberdade.
A polícia acredita que não há motivação política no crime. “Ganhando R$ 60 por noite, [Pradella] viu a chance de ganhar R$ 500 mil de uma vez só”, interpretou o delegado Marcelo Sabadin Baltazar, que classificou o grupo como "amador". Pradella, Ribeiro e Sena trabalhavam na Cetro - empresa integrada ao sistema de produção e distribuição do Enem - e tinham livre acesso à gráfica Plural, onde as provas foram impressas.
O caso
De acordo com a PF, no dia 21 de setembro, Pradella pediu para Ribeiro fazer o furto do primeiro caderno de prova. Ribeiro pegou um exemplar, guardou dentro de sua calça e, depois, o entregou a Pradella.
No dia seguinte, o próprio Pradella pegou o segundo caderno e o escondeu dentro de uma blusa de Marcelo Sena, que estava no estoque. Em seguida, Marcelo pegou o material e deixou a gráfica. Câmeras de circuito interno mostram o momento em que Pradella esconde o caderno e avisa Marcelo, que deixa o local com a blusa embaixo do braço. Veja as imagens (a ação acontece no canto superior do vídeo):
Em posse dos dois cadernos, Pradella procurou o DJ Gregory Camillo, que conhecia jornalistas e o colocou em contato com o empresário e ex-funcionário da Agência Estado Luciano Rodrigues. A partir dele, Pradella conseguiu falar com uma repórter do jornal "O Estado de S. Paulo" e oferecer o material por R$ 500 mil.
Depois que o caso chegou à imprensa e sua foto foi publicada no jornal, Pradella teria ameaçado a jornalista, dizendo que a mataria se não lhe pagasse R$ 10 mil. Pradella nega que tenha feito ameaças, mas, segundo a polícia, a repórter tem uma gravação da conversa.
Enem suspenso
O Enem, que seria realizado no último fim de semana para 4,5 milhões de candidatos em 1,8 mil cidades do País, foi suspenso após indícios de que a prova foi furtada.
A reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" informou ao ministro da Educação, Fernando Haddad, que foi procurado na última quarta-feira por um homem que disse, ao telefone, ter as duas provas que entregaria em troca de R$ 500 mil. De acordo com o ministro, "a jornalista [que informou o ministério da ocorrência] fez uma descrição de alguns elementos constitutivos da prova".
Depois de ter sido alertado, o ministro reuniu a equipe do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que constatou "fortes evidências" de que a prova teria sido furtada.
(Atualizada às 17h00)
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