02/11 - 07:01 O mundo dos práticos Eles são responsáveis pelo controle e direcionamento dos rumos de uma embarcação próxima à costa ou em águas desconhecidas ao comandante. Estes aquaviários são concursados e habilitados pela Marinha do Brasil para estarem aptos a exercer tal função. Milena Prado Neves

Os práticos estão pelos portos de todo o mundo, assessorando comandantes na condução de navios em áreas de navegação restrita, com dificuldades de tráfego livre ou em regiões sensíveis ao meio ambiente. Com amplo conhecimento da hidrografia local, ele é um profissional sempre atualizado sobre dados como profundidade das águas, geografia local, clima, maré, informações sobre o tráfego das embarcações, dentre outras.

O serviço de praticagem é constituído pelo prático, pela lancha de prático e pela atalaia (estação de praticagem). Otávio Fragoso, diretor do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) e vice-presidente sênior da International Maritime Pilots Association, explica um pouco mais sobre esta profissão. “A praticagem é o serviço de auxílio oferecido aos navegantes, geralmente disponível em áreas que apresentem dificuldades relativas a ventos, estado do mar, lagos ou rios, marés, correntes, bancos de areia, naufrágios, visibilidade restrita, dentre outras”.

O prático na prática

Para tornar-se um prático no Brasil, é preciso ser aprovado no concorrido exame organizado pela Marinha do Brasil para esta categoria, onde somente pessoas com formação superior podem participar. Após a aprovação, o candidato é submetido a um processo de formação que dura de um a dois anos, sob a responsabilidade da associação de praticagem local.

“Quando considerado apto, ele presta então novo exame da categoria, também organizado pela Marinha do Brasil. Após estas aprovações, a cada cinco anos os profissionais passarão por um curso de atualização, conforme previsto na Resolução A. 960 da Organização Marítima Internacional”, complementa Otávio.

A maior parte dos práticos em atividade foram oficiais da marinha mercante ou da marinha de guerra do Brasil, mas qualquer candidato com grau de instrução superior e nível de formação marinheira a partir de mestre amador pode concorrer ao exame. “A média de idade verificada entre os práticos iniciantes é em torno de 30 anos e, devido às características do serviço de praticagem, que exigem rigidez física e mental comprovadas em exame de saúde regulares, é pouco comum que continuem em atividade após 65 anos de idade”, comenta o diretor do Conapra.

Não há um salário específico nesta área, pois os profissionais trabalham reunidos em sociedades distribuídas pelas 22 zonas de praticagem ao longo da costa brasileira. Cabe a estas sociedades distribuir os lucros. “Cada associação tem, em média, quatro funcionários por prático em atividade, exercendo funções relacionadas à condução e transbordo dos práticos, à operação das estações de praticagem e às atividades administrativas. No Brasil, podemos considerar que toda a mão-de-obra envolvida ultrapassa mil profissionais”, esclarece Fragoso.

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