Eles também tentaram explicar a origem das espécies
05/06 - 09:40
Isis Nóbile Diniz
Este artigo segue as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Abiogênese, Lamarckismo, Panspermia... Saiba quais são as outras “teorias” em busca de desvendar os mistérios da vida!
Pesquisadores e até pensadores de várias épocas tentaram explicar a diversidade ou a criação da vida. Em vão. Cada uma por um motivo, era refutada. Por fim, o criacionismo voltava como verdade absoluta. Até que, em 1859, o naturalista inglês Charles Darwin publica a teoria da evolução. Mesmo assim, não contente, depois outros cientistas elaboraram novas estudos para tentar decifrar o mistério da vida. Conheça as “teorias” ocidentais mais famosas:
Abiogênese
Cerca de 300 a.C., o filósofo grego Aristóteles acreditava que a vida foi formada por quatro elementos: terra, fogo, água e ar. “A abiogênese seria a origem de seres vivos a partir de algo não vivo”, explica Cláudia Carareto, professora titular em Evolução da Universidade Estadual Paulista (UNESP).
O holandês comerciante de tecidos Anton Van Leeuwenhoek (1632-1723), aprimorando microscópios para usar na sua profissão, conseguiu observar micro-organismos como protozoários e bactérias. Relatou o que viu ficando famoso mundialmente na época. Dessa forma, voltaram as discussões sobe como a vida era formada.
Em seguida, o cientista inglês John Needham fez experimentos com recipientes que continham vários tipos de infusões. Depois de fervido, Needham mantinha alguns fechados e outros abertos. Passado um tempo, surgiam micro-organismos que ele acreditava que apareciam devido a uma “força vital” presente nas partículas do processo. Na mesma época, Lazzaro Spallanzani, italiano considerado um dos precursores da fisiologia moderna criticou Needham. Repetiu a experiência do inglês fechando os tubos e fervendo os caldos no interior. O que impossibilitou o aparecimento de micro-organismos.
Biogênese
No séc. XVII, Francesco Redi o biólogo italiano elaborou a teoria de que vida apenas poderia surgir a partir de outra pré-existente. Para tal, Redi colocou carne em frascos de três maneiras: abertos, fechados e outros cobertos com tela. Nos dois últimos, as moscas entravam e saíam. Surgindo vermes que se alimentavam da carne e, em seguida, também tornavam-se moscas. Nos fechados, nada acontecia.
Os defensores da abiogênese explicaram que isso se devia ao fato de faltar ar, um dos elementos da vida, no frasco fechado. No século XIX, o cientista francês Louis Pasteur conseguiu demonstrar a impossibilidade da geração espontânea da vida. Ele colocou um caldo “nutritivo” em um balão de vidro. O gargalo era no formato de um tubo curvo como um pescoço de cisne. Ferveu o líquido sem fechar o tubo. Depois de um tempo, comprovou que o caldo permanecia estéril mesmo em contato com o ar. Principalmente, porque a curva do gargalo impediu que caíssem micro-organismos no líquido.
Lamarckismo
O pesquisador francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) concluiu que o ambiente muda as características dos indivíduos. Assim, as estruturas do corpo tendem a se desenvolver ou atrofiar de acordo com seu uso. Segundo Lamarck, as espécies se transformavam em outras diferentes, transmitindo as novas características para a prole. Por exemplo, os filhos das pessoas que usam muito o braço como ferreiros nasceriam com o braço mais forte. “Lamarck acertou ao admitir que os seres vivos variavam ao longo do tempo, mas não soube identificar corretamente o motivo.
No lugar de supor que os indivíduos nasciam com as diferenças e eram selecionados, pensou que o próprio ambiente causava as diferenças”, explica Atila Iamarino, biólogo e doutorando de microbiologia no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). “Embora o ambiente possa mudar um ser vivo, como a exposição ao Sol que nos deixa queimados, esse tipo de mudança não passa adiante”, diz.
Erasmus Darwin (1731-1802), avô de Charles Darwin, na mesma época propôs a evolução gradual dos animais e das plantas. Falou que na competição entre os machos, o mais forte propaga a espécie visando seu aprimoramento. Também, disse que a variação do ambiente provocava uma resposta do organismo.
Cosmozoica ou Panspermia
Mesmo após a publicação da teoria das espécies por meio da seleção natural, no século XX pesquisadores discutiram outra ideia. A de que a vida na Terra era proveniente do espaço. Svante August Arrhenius (1859-1927), químico sueco, acreditava que a vida se desenvolveu em várias regiões do universo. Teria chegado ao planeta de forma bem primitiva até se desenvolver como conhecemos hoje. Passado poucos anos, o astrofísico inglês Fred Hoyle, que faleceu em 2001, falava da existência de nuvens interplanetárias e interestelares feitas de bactérias e vírus.
Coacervado ou Hipótese de Oparin
No mesmo século XX, o russo Aleksandr Ivanovich Oparin (1894-1980) elaborou uma teoria de que a vida surgiu a partir da evolução química gradual de moléculas baseadas em carbono em uma espécie de “sopa primordial” - esta rica em matéria orgânica. Seria como se, antes da vida, houvesse uma pré-vida.
De acordo com o pesquisador, as condições na Terra primitiva favoreciam a ocorrência de reações químicas que transformavam compostos inorgânicos em compostos orgânicos precursores da vida. Os americanos Stanley Lloyd Miller e Harold Clayton Urey conseguiram testar a hipótese. Demonstraram que a teoria de Oparin sobre os organismos, de que se criavam moléculas e depois células, dava certo.
Princípio antrópico
Essa é uma hipótese mais relacionada à física. De maneira resumida, alguns estudiosos acreditam que o acaso seria insuficiente para gerar vida. Considerando que, desde o início, o universo já apresentava essa possibilidade. Esse debate ocorreu, principalmente, no século XX.
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