De volta à Lua
05/06 - 17:10
The New York Times
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A agência espacial norte-americana (NASA) lançará, ainda este ano, o orbitador lunar que representa o primeiro passo de um plano ambicioso de levar o homem de volta à Lua – e continuar a viagem até Marte.
A espaçonave chamada “Lunar Reconnaissance Orbiter” (LRO) usará novas tecnologias para mapear, com precisão, a superfície da Lua, em busca de recursos naturais como o gelo, e para testar a possível ameaça da radiação ambiental sobre os seres humanos.
Segundo o cientista responsável pelo projeto, Richard Vondrak, o LRO é o satélite lunar mais avançado construído pela NASA. Ele também afirma que o orbitador permitirá o acesso a informações impossíveis de serem coletadas algumas décadas atrás.
“Estamos examinando a Lua mais detalhadamente do que qualquer outro corpo celestial para o benefício de todos os países - incluindo a China, o Japão e a Índia, que já afirmaram ter interesse em levar pessoas à Lua nos próximos 10 ou 20 anos”, comentou David Smith, cientista da NASA envolvido no projeto do LRO.
A espaçonave faz parte do programa “Vision for Space Exploration” da NASA, que inclui em seus objetivos principais responder questões fundamentais da física, procurar vida extraterrena e buscar recursos naturais, tais como reservas de energia, para o planeta Terra. O programa propõe o retorno do homem à Lua, mas, antes que isso aconteça, Vondrak acredita ser necessário conhecer melhor a topografia e a radiação da superfície lunar.
“Foram inúmeros os erros quase fatais na época da Apollo. Não pousamos em uma superfície plana, havia pedras por todos os lados que poderiam ter danificado a nave e impedido o retorno à Terra. Os padrões de segurança atuais teriam impedido o lançamento da Apollo.
O programa espacial da Apollo foi encerrado em 1975 e somente na década de noventa os Estados Unidos enviaram mais satélites para a órbita lunar - o “Clementine” e o “Lunar Prospector” ficaram meses orbitando a Lua e enviando informações para a Terra. O “Clementine”, que também foi utilizado para testar novas tecnologias de balística, foi um projeto da NASA em parceria com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Nenhuma outra sonda lunar foi enviada pelo país desde então.
Segundo Vondrak, um número maior de informações e dados mais precisos serão coletados pelo “LRO”, permitindo que cientistas encontrem locais de pouso ricos em recursos naturais e projetem sistemas apropriados para o ambiente lunar. O satélite permanecerá em órbita por um ano a uma altitude de 50 quilômetros.
Satélites americanos anteriores a este mantinham altitude aproximada de 100 a 200 quilômetros, assim como a sonda chinesa “Chang'e 1” e a japonesa Kaguya, ambas lançadas em 2007. Ao orbitar em altitude mais baixa, a espaçonave poderá obter imagens com resoluções mais altas, alem de mapas detalhados e medições de temperatura mais precisas, segundo informou Vondrak.
O orbitador lunar será equipado com seis novos instrumentos, dois deles serão usados no espaço pela primeira vez: um telescópio de raios cósmicos, que medirá os efeitos da radiação lunar sobre os seres humanos, e um altímetro a laser, que traçará mapas da superfície da lua.
O telescópio, chamado Crater, é um novo tipo de sensor desenvolvido, em conjunto, pelo “Massachusetts Institute of Technology” (MIT), “Boston University”, “University of Tennessee at Knoxville”e “Aerospace Corporation”. Ele permite medir a radiação ambiental, não somente no espaço, mas também como seria experimentada diariamente por astronautas na superfície. “Ao detectarmos as características da radiação, poderemos projetar um revestimento melhor para a espaçonave que permitirá que astronautas tolerem viagens mais longas para a Lua e para Marte”, disse Justin Kasper, membro do departamento de astrofísica do “Harvard-Smithsonian Center” e cientista responsável pelo projeto do Crater.
O corpo humano reage à radiação de diferentes maneiras, dependendo da intensidade, duração e composição das partículas radiativas. As duas questões mais preocupantes para os cientistas são a intoxicação radiativa aguda ou os longos períodos de exposição aos raios cósmicos galácticos, que podem aumentar o risco de câncer.
“Em todos os casos, o perigo é que a radiação ionizada possa romper as ligações dos átomos do DNA e causar danos às células e aos tecidos”, disse Kasper.
O segundo instrumento a fazer seu primeiro passeio espacial é o altímetro LOLA (Lunar Orbiter Laser Altimeter), desenvolvido por engenheiros do “NASA.
Goddard Space Flight Center”, que usará o laser para medir a distância entre a espaçonave e a superfície da Lua.
“Distâncias muito precisas serão medidas, chegando a 10 centímetros, a uma velocidade de 28 vezes por segundo”, afirmou Smith, que é também o principal pesquisador do LOLA. Ao contrário de outros instrumentos, que enviam um único feixe de laser em repetições baixas, o novo altímetro envia cinco feixes de laser que são refletidos de volta e recebidos por cinco detectores independentes, totalizando 140 medições por segundo.
Cientistas poderão traçar mapas de alta densidade extremamente precisos da forma da superfície lunar.
“Poderemos determinar a altitude e a inclinação de diferentes lugares da Lua, assim como a aspereza do terreno. Poderemos também descobrir propriedades do terreno – por exemplo, o formato das crateras, além da profundidade e do tamanho das mesmas”, afirmou Smith.
O objetivo final é identificar o melhor local para o pouso da aeronave, de preferência uma superfície plana, e para os astronautas formarem uma base.
Além do Crater e do LOLA, outros quatro instrumentos serão usados para capturar imagens, mapear a superfície, medir temperaturas para identificar possíveis depósitos de gelo e procurar hidrogênio nas regiões polares da Lua. Todos os dados serão enviados para a Terra para análise continua.
“O LRO é a nossa primeira missão de exploração de volta à Lua e certamente terá um impacto expressivo nas viagens espaciais futuras”, afirmou Vondrak.
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