Para as crianças, medo combina com escuridão, assim como Lobo combina com medo. E foi combinando lobo e escuridão que o escritor e artista plástico Antoine Guilloppé trabalhou o medo dos pequenos leitores no livro “Lobo Negro”.
Usando apenas traços em preto e branco, sem a ajuda de textos, Antoine apresenta a história de um garoto que caminha pela floresta, sob neve, enquanto é espreitado por um lobo. Olhos brancos destacando-se na escuridão, flocos de neve caindo sobre o fundo negro, sombras do lobo, silhuetas, vento e galhos desenhados em duas cores, mesclando claridade e escuridão.
O leitor acompanha a caminhada do menino pela neve e o olhar do lobo sob o personagem enquanto cresce a expectativa sobre como será o encontro entre menino e lobo; esse suspense é mantido até a última página, quando então uma agradável surpresa se revela e questiona tudo o que foi visto e imaginado até o desfecho.
Sem nenhum texto, a obra faz com que a narrativa e os sons ambientes sejam imaginados, estimulando a criatividade dos leitores. O autor inspirou-se no teatro de sombras, ideal para contar essa história que brinca com os dois lados de uma mesma situação e questiona se o temido lobo das histórias precisa mesmo ser mau.
“Lobo Negro” procura simplificar e desmitificar, através de criativa experiência sensorial, o medo das crianças. É um livro que certamente prenderá a atenção de adultos e crianças até a última página, envolvendo-os na escuridão e na bela floresta criada por Antoine.