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Paralelos - 17 contos da Nova Literatura Brasileira

Fransueldes de Abreu igler@ig.com

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Paralelos - 17 contos da Nova Literatura Brasileira
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102 páginas

Ei, você! Isso mesmo, você que está caminhando entre as estantes da livraria, folheando pela vigésima vez os livros do Rubem Fonseca (que você já leu quase todos), do ótimo Luis Fernando Veríssimo, do genial Saramago, sem falar nos populares best sellers e nos títulos do vestibular. Eu te pergunto: tá a fim de conhecer um pessoal que anda agitando e renovando a cena literária nacional com textos de alta qualidade? Em caso positivo, siga as instruções abaixo:

Dirija-se ao atendente e peça um exemplar do livro Paralelos - 17 contos da nova literatura brasileira. Caso a livraria não possua a obra, encomende. Se preferir, compre pela Internet. Só não deixe de ler este primeiro número impresso da Paralelos.org, revista eletrônica com sede no Rio de Janeiro que há um ano e meio divulga o trabalho de escritores iniciantes (algumas vezes ao lado de autores já consagrados).

Com o livro em mãos, deixe-se envolver pela beleza e agilidade do peixe homem de Antonia Pellegrino. Dance uma música romântica num salão de tábua corrida com o personagem de Augusto Sales enquanto o narrador faz surgir de sua memória um retrato delicadamente trágico de uma mulher chamada Constância (retrato no qual o próprio narrador tem lugar). Acompanhe Cecilia Giannetti à uma boate e entre com ela no último quarto à direita.

Siga os devaneios de Crib Tanaka e descubra como adquirir felicidade por apenas 1 real. Compartilhe da solidão de Ana e Paulo no conto de Flávio Izhaki, autor hábil em construir atmosferas densas a partir dos gestos mínimos de seus personagens. Compare a solidão do casal acima com a dos dois irmãos no texto de Francisco Slade e depois comente com os próprios autores. Para isso, basta pegar o endereço dos blogs de Flávio e Francisco no fim do livro, pois uma das características comuns a todos os escritores publicados neste Paralelos - 17 contos da nova literatura brasileira é uma forte ligação com a Internet. Todos eles tiveram seus primeiros trabalhos divulgados através de blogs e sites literários, comunicando-se entre si e com os leitores de forma rápida e ágil.

Contato feito com os autores, retome o livro a partir do texto de Gustavo de Almeida e tente descobrir como o barulho de pratos, garfos e facas em almoços familiares podem virar apenas um gosto de terra na boca.

Mas não leve tudo tão a sério. Compre vários exemplares de Paralelos - 17 contos da nova literatura brasileira, distribua entre os amigos e depois sentem-se numa mesa de bar para fazer psicanálise de botequim em cima do narrador de João Paulo Cuenca que se sente ameaçado: “Sujeito à leitura peçonhenta de scholars cheiradores do rabo alheio. Entre vocês e os cães aqui da praça, uma semelhança. Reconheçam-se pelo olfato e, de resto, invejem a sensibilidade de um olhar canino!”.

Ainda sentados em volta da mesa, você e seus amigos poderão embarcar no diálogo rápido, irônico e estranho de Jorge Cardoso. A ironia continuará dando o tom no texto seguinte, um monólogo escrito por Jorge Rocha no qual Pinnochio atira “Farpas de impressões em moto-perpétuo entocadas em âmbar” (sugiro que quem conseguir explicar essa frase tenha a sua conta paga pelos colegas da mesa).

Antes de prosseguir com este roteiro, eu preciso deixar uma coisa bem clara: não confie nas minhas opiniões, pois elas são totalmente passionais. Eu conheço pessoalmente e admiro boa parte dos escritores publicados neste livro que estou recomendando. Sendo assim, compre, leia, discuta e tire suas próprias conclusões sobre Paralelos - 17 contos da nova literatura brasileira.

Feita a ressalva, sugiro que você se delicie com o lirismo que Leandro Salgueiro empresta ao seu personagem Nuno na reconstrução do estranho Rodrigo. Recomendo, ainda, que você mergulhe de cabeça nos episódios que compõem o texto de Mara Coradello: leia cada um deles em silêncio, releia todos em voz alta, peça para que alguém os leia enquanto você ouve de olhos fechados.

Mariel Reis chega para mudar o tom predominante do livro, pois seu conto faz rir de uma forma diferente dos trabalhos mais irônicos que eu citei acima. No entanto, mesmo engraçado, o texto de Mariel não deixa de lado um certo desconforto ao colocar em xeque o papel sexual do homem contemporâneo.

Antes de começar a ler o texto de Paloma Vidal, dê um pulo no fim do livro e leia a minibiografia da autora. Depois volte ao ponto em que havia parado e deixe a leitura deste conto / narrativa / relato / memória fluir em meio aos fantasmas e às pulsações secretas da personagem. Então, passe ao também delicado conto de Pedro Süssekind que vai, como no texto anterior, em busca de uma terra perdida na infância mas que, neste caso, é recuperada pelo personagem através dos olhos de sua filha.

O livro se fecha com os textos de Simone Paterman e Tatiana Salem Levy. No conto da primeira escritora, assuste-se com o barulho ensurdecedor das ondas do mar e com a crueldade que a autora consegue imprimir num texto construído com palavras tão sutis como berço, acalanto, Deus, anjo, etc. Já no texto da última escritora, formado por pequenos contos que abordam grandes temas com os quais todo ser humano terá que se ver em algum momento da vida, você poderá refletir sobre origem, amor, separação, morte, comunicação (no caso, escrever), culpa e destino.

Então, o que você está esperando? Compre imediatamente o seu exemplar de Paralelos - 17 contos da nova literatura brasileira. Entre em contato com os autores através dos blogs. Acesse a revista virtual clicando em www.paralelos.org e conheça vários outros escritores. Fique de olho nos eventos que essa turma agita e, se possível, compareça para tomar uma cerveja. Enfim, faça parte deste movimento de renovação da literatura brasileira.

Fransueldes de Abreu é paulistano. Tem 27 anos.


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