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BLUES

José Luiz Sampaio igler@ig.com

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BLUES
Robert Crumb
Conrad do Brasil
108 páginas

Robert Crumb, um dos ícones da contracultura norte-americana, nunca escondeu a influência que o blues e o jazz tiveram sobre sua obra. No álbum “BLUES” lançado agora no Brasil, sempre pela Conrad Editora, o quadrinista mostra seu lado documental, livremente inspirado nas fotografias de Walter Evans. “Blues” é uma obra quase didática, onde Crumb aborda com seu traço genial as heranças e origens do gênero musical que influenciou toda a música ocidental.
Na primeira história da série, chamada apenas "Patton", ele recria a trajetória de Charley Patton, um dos primeiros bluesmen do Delta do Mississipi, que, como tantos outros, não chegou a ser reconhecido pela história. Por ser encrenqueiro demais, na mesma proporção em que era habilidoso com o seu instrumento, Patton virou uma espécie de lenda entre os tocadores de blues mas nunca conseguiu a projeção de um Howlin` Wolf ou de um Bukka White. Entre garrafas de uísque barato e quebradeiras com suas namoradas, figuras legendárias como Robert Johnson e Jelly Roll Morton vão aparecendo, além da clássica cena na encruzilhada, onde o então aspirante a bluesmen, vende sua alma ao diabo para ser capaz de executar "qualquer coisa que queira". Só lendo para saber.
Outro ótimo momento acontece quando o cartunista resolve transportar, frase por frase, velhas letras do blues, de clássicos da Motown e de uma versão alucinante de Purple Haze, de Jimmi Hendrix, para os quadrinhos. Brincando com o absurdo da poesia de algumas canções, tudo parece se tornar possível nas mãos do mestre Crumb.
O livro ainda traz muitos dos trabalhos que o desenhista realizou durante anos, motivados por sua paixão pelo blues. São capas de pequenos discos de 12 polegadas, os famosos Race Records, que Crumb sempre escutou para desenhar, e trazem clássicos da música negra americana dos anos 20 e 30. A famosa arte para a capa de "Cheap Thrills", feita para o segundo álbum da banda Big Brother & The Holding Company onde Janis Joplin estreava como cantora, também está aqui. E muitos cartazes feitos para sua própria banda, a "Cheap Suit Serenaders" que animava festinhas, casamentos, piqueniques e afins no final dos anos 70, com Crumb se apresentando no Banjo.
Siga o exemplo indicado na primeira página - trilha sonora recomendada: Charley Patton - Yazoo, L-1020 - fique em casa no sábado a noite e divirta-se com "Blues", a homenagem de Robert Crumb às legendas da música negra norte-americana.

   


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