Um Conto com passado, presente e futuro, com mãos, olhos e mil pernas, caráter religioso, fantástico ou de terror, com características humanas, como se tivessem vida própria: assim são descritos os contos no livro "Te conto que me contaram", todos esses traços servindo como metáfora para a relação que temos com as histórias, escritas ou narradas, protagonistas desta obra de Gloria Kirinus, escritora peruana radicada em Curitiba, que está em seu vigésimo livro.
"Te conto que me contaram que há contos pequeninos. E há também outros gigantes que conversam com a lua.
Parece que eles têm mães tecedeiras de outros tempos que enrolam suas memórias no tear do pensamento."
Em estrofes sempre iniciadas pela frase que dá título ao livro, "Te conto que me contaram" é uma história cheia de lirismo e que apresenta o Conto como um bom e velho companheiro de nossas fantasias.
O leitor se encanta com esta história tão bem contada -trata-se de uma definição extensa e bem elaborada sobre os contos - e com as ilustrações oníricas, de reinos distantes, de céu, montanhas, palavras flutuantes, todos os traços soltos numa ode à liberdade, que é mesmo a sensação que temos quando ouvimos um conto bem narrado como este. As ilustrações parecem pintar nossa imaginação, traduzi-la em cores e formas.
Não bastassem a qualidade do texto e a beleza de seus desenhos, "Te conto que me contaram" pode ser uma gostosa maneira de despertar nos leitores de todas as idades o interesse pelo estudo do espanhol ou de outras línguas (um passaporte para viajar, conhecendo no original, pela literatura de outros países): o livro foi lançado em edição bilíngüe, apresentando o texto original escrito por Gloria Kirinus, com vocabulário simples e algumas estrofes rimadas que foram mantidas na tradução.
"Te conto que me contaram que se este conto te agrada que o contes bem contado ao contador do teu lado"
"Te cuento que me contaron que si este cuento te agrada, que lo cuentes bien contado, al contador más cercano"
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