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Informações preciosas sobre o Budismo

Sérgio Sampaio

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O Budismo ao seu Alcance - Princípios e Expansão
William Stoddart
Editora Record/Nova Era
160 páginas
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Das religiões mundiais, o Budismo é talvez aquela que mais apresenta singularidades. Na época moderna, a sua própria expansão talvez não tivesse sido possível sem as imensas facilidades de comunicação colocadas à disposição dos homens, os quais acabaram tendo a seu alcance realidades antes longínquas. Por outro lado, nenhuma outra religião corre tanto o risco da incompreensão e, por conseqüência, da assimilação inadequada.

Autoridade internacionalmente reconhecida no campo da História das Religiões e da Religião Comparada, William Stoddart buscou em O Budismo ao seu Alcance - Princípios e Expansão encarar o desafio de desfazer os equívocos que rondam este complexo tema.

Ao sintetizar e explicar suas doutrinas e práticas essenciais, suas escolas e formas culturais, o autor simultaneamente demonstra que o Budismo, mesmo com suas singularidades, é uma religião tanto quanto o são aquelas que nos são mais próximas, como o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. E, quase desnecessário é acrescentar, a contraditória noção de religião "ateística" é rejeitada.

A perspectiva "universalista" do autor se impõe logo no primeiro capítulo, "Características Especiais do Budismo", quando são analisadas as diferenças entre o Budismo e as demais religiões. Segundo William Stoddart, estas diferenças são mais aparentes que reais, restando na verdade apenas uma diferença de ponto de vista ou perspectiva.

Assim, por exemplo, embora na superfície o Budismo pareça prescindir do conceito de Deus, o que ocorre na verdade é que ele encara a "Realidade Suprema" não como um "Ser Supremo", e sim como um "Estado Supremo". Ou, dito de outra forma, enquanto a maior parte das religiões enfatizam o aspecto "transcendente" da "Realidade Suprema", o Budismo enfatiza o aspecto "imanente", ou Nirvâna segundo a sua linguagem. E, não menos importante, a perspectiva teísta não é totalmente descartada, especialmente na escola Mahâyâna (predominante no Japão, China, Coréia e Tibete).

Um aspecto que pode vir a surpreender alguns é a posição do autor de que a ortodoxia, longe de ser sinônimo de "intolerância", é mesmo um pressuposto para o diálogo entre as religiões. Este ponto é discutido em dois capítulos, "O que é religião?" e "O que é ortodoxia?", ao mesmo tempo concisos e abrangentes.

Como nos lembra o autor, "hoje em dia a ortodoxia é vista simplesmente como uma forma de intolerância: uma classe de pessoas impondo suas próprias visões aos outros."

Porém, a palavra ortodoxia, derivada do grego, significa simplesmente "pensamento correto". Assim, a ortodoxia é vista como uma lembrança da primazia da verdade sobre tudo o mais. E, como vivemos num tempo em que adeptos de diferentes religiões convivem lado a lado, haveria uma tendência "natural" a uma espécie de "diálogo" vazio, que pode vir a descartar a ortodoxia tradicional.

A este respeito, Stoddart cita uma passagem esclarecedora do tomista britânico Bernard Kelly: "A confusão é inevitável sempre que culturas baseadas em tradições espirituais profundamente diferentes misturam-se sem proteções rígidas que preservem sua pureza. O cruzado com a cruz brasonada no peito e a tanga e o bastão de Mahatama Gandhi quando visitou a Europa são imagens do tipo de precaução sensata quando se viaja em um território espiritualmente estrangeiro. O viajante moderno com seu chapéu-coco e terno listrado está protegido por essa vestimenta contra qualquer falta de seriedade ao discutir negócios. De proteções mais importantes ele não sabe nada. (...)"

Ao discutir o papel do Budismo entre as religiões mundiais, William Stoddart faz uso de um interessante diagrama com a classificação das religiões, as quais são divididas em três grandes categorias: xamanismos hiperbóreos, mitologias arianas e monoteísmos semíticos.

Esta classificação, embora útil, não pode ser vista de forma estanque, visto que, ao se deter sobre um leque mais amplo de características, tais categorias acabam por se confundir. Assim é que o Budismo, embora seja uma "mitologia ariana", apresenta importantes paralelos com o Cristianismo, um "monoteísmo semítico".

Em sua origem, ambos surgiram de outras religiões - o Budismo nasceu do Hinduísmo e o Cristianismo do Judaísmo. E, numa questão central a toda religião, referente à doutrina do "Logos", este paralelo entre as duas religiões é novamente ressaltado, pois tanto Buda como Cristo são fundadores de religiões e a personificação do "Logos", e fazem, assim, o papel de "ponte" entre o Absoluto e os homens.

Assim como no seu início o livro busca desfazer os equívocos que confundem o Budismo com uma vaga filosofia, também em seu final o autor não se furta a discutir temas controversos como o "panteísmo" e a "reencarnação".

A respeito desta última, é importante ressaltar que não procede a leitura "literal" que dela fazem muitos ocidentais. Tal termo não serve nem mesmo para explicar a sucessão dos lamas no Budismo tibetano; a "reencarnação", no caso, refere-se ao "posto" ou "função", jamais ao indivíduo.

O livro também é muito útil por conter informações preciosas sobre este tema tão vasto, como uma lista de mapas do mundo budista, uma bibliografia selecionada e uma seleção dos famosos hai-kais, poemas japoneses de 17 sílabas, vertidos para o português a partir da tradução inglesa, num belo trabalho de Alberto Queiroz. Como "aperitivo", aqui vai um exemplo de um hai-kai de Rippo (1600-69):

I have seen moon and blossoms, now I go
To view the last and lovliest: the snow.

(Já vi a Lua e as flores; parto em breve
para ver a última e mais amada, a neve.)

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