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Preto no Branco: Somos todos idiotas (mas alguns extrapolam)

Carlos Duarte do Nascimento (Chester)

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Preto no branco
Allan Sieber

Conrad
84 páginas
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Uma das coisas que torna viável produzir quadrinhos em tiras nos EUA é que o autor retém os direitos de republicação das mesmas em coletâneas (e nestas elas realmente consegue o lucro).

Pouco a pouco esta tendência tem sido absorvida pelo Brasil, mas em ambos os países o autor fica dependente dos jornais para fazer a divulgação.

Alguns independentes americanos, como Derek Kirk Kim e Scott McCloud têm pulado a etapa do jornal e publicado suas historias na web, colhendo os frutos financeiros com a venda em papel. Assim como a divulgação de bandas novas através do compartilhamento de MP3 na rede, o método tem dado resultados, segundo os próprios autores.

Allan Sieber saiu na frente trabalhando esta fórmula no Brasil: a coletânea Preto No Branco, lançada pela Conrad, coloca no papel as tiras publicadas no seu site (que continua divulgando as tiras não-publicadas e recebe atualizações semanais).

O tema dos quadrinhos é, invariavelmente, a crítica à mediocridade. Ninguém escapa: pais babões, pagodeiros televisivos, cultos de lavagem cerebral e, principalmente, o próprio autor, freqüentemente a maior vitima de sua própria língua mordaz.

Isso sem falar na violência humorística gratuita como na tira da Adult Farm Productions, que deixam o leitor rindo por horas sem qualquer justificativa intelectual. Humor-força versus humor-arte. E funciona.

Não são temas leves, muitos menos politicamente corretos. Sieber deve ter perdido um sem-número de amigos ao escrever estas tiras. Ninguém é perfeito, e sempre vai haver uma tira que fará o leitor se sentir pessoalmente agredido.

Essa sinceridade toda é justamente o que dá valor aos quadrinhos do Allan, separando-o do bom-mocismo que, hoje em dia, é a regra do meio.

A edição (acondicionada em uma curiosa caixinha) é no formato "Pasquim", ou seja, você lê o livro deitado. As tiras, que na web eram dispostas na vertical, foram diagramadas para o novo formato, tornando a leitura muito mais agradável.

Só este aspecto já justifica a compra da versão em papel. E, claro, tentar fazer o Sieber ficar rico e ver do que ele vai reclamar em seguida.


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