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Espelho infiel - O negro no jornalismo brasileiro

Claudinei Vieira

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Espelho Infiel - O negro no jornalismo brasileiro
Flavio Carrança

IMESP
187 páginas
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Qual é o peso e a quantidade de profissionais negros que trabalham nos órgãos da mídia brasileira (impressa, televisiva, internética)? Se fossemos responder de imediato, sem pensar muito, e sem pesquisa, poderia se responder de imediato: pífios.

Em verdade, não é preciso pensar muito para contar nos dedos o número de pessoas que vemos trabalhando, tirando talvez alguns atores que, nos últimos tempos, tem recebido mais destaque. Basta lembrar, por exemplo, na celeuma que agitou a televisão brasileira quando a Rede Globo anunciou um apresentador negro no Jornal Nacional (embora, sua presença efetiva seja bem rara!). É melhor, no entanto, trabalharmos com dados mais concretos.

Vejamos, então, o artigo de Flavio Carranca ("Igualdade Racial Entre os Jornalistas Ainda É Uma Meta"), no qual ele cita uma pesquisa realizada pela Revista Imprensa, n° 165, publicada em outubro de 2001.

A revista mandou cinco mil questionários para redações de todos o pais com as seguintes perguntas: 1- quantos jornalistas trabalham na sua redação? 2 - Destes, quantos são negros? 3 - Quantos ocupam cargos de chefia? Dos cinco mil questionários, retornaram somente 230; destes somente 85 (36%) informaram contar com algum negro ou negra jornalista.

Cargos de chefia? 57 cargos de chefia em um universo de 3.400 profissionais. As conclusões são mais do que óbvias.

"Espelho Infiel - O Negro no Jornalismo Brasileiro" faz muito mais do que simplesmente acrescentar mais dados ao que os nossos sentidos mais imediatos já nos fazem perceber. São artigos escritos por profissionais negros engajados e inseridos dentro do meio para fazer pensar e reavaliar a inserção da massa da população negra dentro deste segmento tão exclusivista.

A tarefa, como é de praxe, não é simples, nem um pouco fácil. Consiste em tentar derrubar séculos de racismo arraigado e nunca plenamente assumido. É impressionante como ainda se nega que exista preconceito racial de fato no Brasil! Ou, então, quando não se é possível negá-lo diretamente, ele é minimizado, 'relativizado', 'naturalizado' dentro dos esquemas sociais de exclusão generalizados.

O grande foco trazido à tona pelos artigos deste livro trata, em sua maioria, de como o negro é visto, tratado, ´midiatizado' pela imprensa, quando isto acontece.

O titulo é muito feliz ao enfatizar a questão da imagem distorcida por este espelho, a mídia, que deveria traduzir uma realidade, mas que na verdade acaba refletindo um outro tipo de imagem, uma outra idealização.

Portanto, trata-se aqui de varias combinações de discussão: o negro como o objeto que deveria ser refletido, a 'invisibilidade' do racismo brasileiro, ou seja, a falta desta imagem correta através de uma discussão séria e aprofundada.

E, é lógico, o outro lado: o negro não como imagem refletida passivamente, mas como agente produtor desta imagem, o profissional, o jornalista.

"Espelho Infiel" é o resultado da atuação e do empenho da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, Cojira, e o Geledés - Instituto da Mulher Negra, e sua publicação só foi possível pela parceria com a Imprensa Oficial.


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