A Arte de Desperdiçar Energia
Ricardo Cavallini
Editora Bookmakers
128 páginas
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Conheci o site boabronha em março. Fiquei espantado, pois além de ser muito bem feito, o site não tinha aquele visual poluido e de difícil navegação dos sites pornográficos tradicionais. E o melhor de tudo: não havia banners pipocando por todos os lados, abrindo janelas indesejáveis, fazendo com que você passasse mais tempo fechando-as do que vendo as fotos, que é o que realmente interessa.
Lá no boabronha tudo era organizado com muito bom humor. Quem visitou a página nunca esquecerá dos ícones em forma de luvas, sinalizando as seções. As pesquisas e suas perguntas capciosas e até os joguinhos, como aquele em que o internauta era convidado a "montar" seu corpo para bater uma punheta virtual.
O responsável por tudo isto foi Ricardo Cavallini, quinze anos de experiência na área de tecnologia, à época trabalhando para a Globo.com. Ao inaugurar seu site de hospedagem gratuita, o Kit.Net, incentivou seus funcionários a criarem sites amadores para fazer volume, promovendo até um concurso para isso. Cavallini transformou-se em Renato Cavalcanti e criou o que viria a ser uma lenda na internet brasileira.
No livro "A Arte de Desperdiçar Energia", Cavallini conta sua experiência como webmaster do maior site pornô brasileiro. Ele apresenta desde o passo-a-passo na criação da página, passando pelas pesquisas engraçadíssimas, as dicas de masturbação, concursos publicitários e as conversas com os internautas que visitavam a página, ora dando dicas, ora pedindo conselhos sexuais e até mesmo perguntando sobre os "dotes" de Cavalcanti / Cavallini.
No livro, o autor também apresenta o mundo das páginas pornográficas brasileiras, como elas funcionam e como mantêm-se. Mostra as estatísticas de acesso e até o perfil de alguns webmasters. Cavallini chegou a criar uma associação de sites adultos.
Mas como já dizia o ditado, nada que é bom dura para sempre. O boabronha teve vida curta. No livro, Cavallini explica os motivos que fizeram-no fechar o site, deixando toda uma geração esperançosa pelo seu retorno, o que explica o grande número de visitações ao endereço www.boabronha.com, mesmo depois do seu falecimento.
Ian Black escreve para os fanzines enloucrescendo.com.sapo.pt e
www.spamzine.net
Nota da redação: O Boabronha acabou mas o Red Sex está aí, todo pimpão.