Mais barbeiro
10/07 - 07:00
Reinaldo Pimenta
Atendendo a centenas de pedidos (todos procedentes de um dos dezoito leitores desta coluna), aqui vai a origem do nome do inseto BARBEIRO.
Em abril de 1909, assim se pronunciava num comunicado o jovem cientista mineiro Carlos Chagas, então com 30 anos (sim, é-se jovem aos 30 anos; se você tem bem menos que isso, um dia vai entender):
“Saibam todos que o inseto conhecido por barbeiro ou chupão, encontrado nas casas de pau a pique dos sertanejos do Brasil, é portador de um parasita que causa febre, anemia, cardiopatias e aumento dos gânglios.”
Chagas havia identificado o agente causador da doença, um protozoário (transmitido pelo BARBEIRO) que ele batizou de “Trypanosoma cruzi” — “cruzi” em homenagem ao sanitarista Oswaldo Cruz. Já o povo partiu para outra homenagem: chamou o mal de “doença de Chagas”.
O BARBEIRO deve seu nome popular ao fato de ele chupar (daí ser também conhecido como “chupão”) o sangue da vítima, enquanto ela dorme. O inseto ataca quase sempre no rosto, área de atuação do homem BARBEIRO quando, no exercício etimológico de sua profissão, extirpa a barba do cliente, às vezes com pequenos cortes e algum sangue. Na verdade, o inseto BARBEIRO não tem predileção especial por rostos, é que, ao dormirmos, essa parte do corpo se acha sempre descoberta e ao inteiro dispor do vampirinho.
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