Voltar à vaca fria
27/12 - 16:51
Reinaldo Pimenta
Quando se quer retomar um assunto que foi interrompido (na fala não existem parênteses como estes nem nota de rodapé), usa-se a expressão “voltando à vaca fria”.
No século XV, na França, fez sucesso uma peça de teatro chamada “A Farsa do Advogado Pathelin”. Na cena de um julgamento, o defensor do ladrão começa a fazer longas digressões, que nada tinham a ver com a causa, um roubo de carneiros.
Impaciente com a fala interminável do advogado, o juiz exclama: “Sus! Revenons à ces moutons!” (Vamos! Voltemos aos carneiros). Ou seja, vamos retornar ao que importa.
A expressão se popularizou na França, mas, quando viajou para Portugal, o carneiro virou vaca. É que lá havia o costume da mesa portuguesa de ter carne de vaca fria como um prato que antecedia os demais.
Normalmente ninguém terminava uma refeição retomando a vaca fria, mas a expressão ficou com o sentido de retorno ao início.
Trata-se, pois, de mais um produto da extraordinária cozinha lusitana. Manuel Quintela, um português amigo, uma vez assim definiu Portugal, cheio de razão: “Aquilo não é um país, é um grande restaurante”.
› Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG
